Horas mortas...
... turvas...
tortas
agora
e toda a hora...
... Amen!
Portas tortas
abertas
hirtas
abertas
tortas
retortas
de trincos
e trancas
partidas
E tudo torto
... mas tudo...
tudo torcido
e contorcido
turvo e torto...
... mas, sobretudo
mui... muito torto,
tão hirtamente...
... terrivelmente!
E há horas brancas
adormecidas
nas horas pretas
e há um fado
cantando
contando,
embalado,
a sina de todas
que tu, e eu, mais enlodas
(baixinho, que ninguém nos ouça! Podem chamar-me doido...)
Pressinto
quando entro,
Ñão sei porquê!
o Cristo
e a Virgem Mãe
lá dentro
naquele antro
a par e ao pé
dum Mefisto
de quebranto
estranho encontro!...
Agora,
e toda a hora...
... Amen!
António de Navarro
Publicado por xc em novembro 1, 2003 10:35 PM