novembro 25, 2003

Multidão

Uma folha tomba do plátano, um frémito sacode o imo do cipreste,
És tu que me chamas.

Olhos invisíveis sulcam a sombra, penetram-me como à parede os pregos,
És tu que me fitas.

Mãos invisíveis nos ombros me tocam, para as águas dormentes do lago me atraem,
És tu que me queres.

De sob as vértebras com pálidos toques ligeiros a loucura sai para o cérebro,
És tu que me penetras.

Não mais os pés pousam na terra, não mais pesa o corpo nos ares, transporta-o a vertigem

obscura

És tu que me atravessas, tu.

ADA NEGRI

Publicado por xc em novembro 25, 2003 12:16 PM