
Foto de Bjorn Oldsen
Voltar-te como um junco sem grande peso: meia haste retorcida, alguns nós de caule por enxaguar, poucas folhas, nenhum viço. Descer-te meio palmo a baixo da última nódoa negra. Sulcar-te meia dúzia de limos verdes a seguir à correnteza. Rasgar-te um lodo nú. Primeiro com a boca - só com a boca: ainda sem dedos. Depois lembrar-te que é sem âncora e sem escora, o caminho dos que pertencem às águas lisas. Dizer-te que ainda sei de ti, mas qualquer coisa me fez perder o teu nome. Perguntar-te no descompasso se acaso ainda alguma asa te roça em mim. Derivar-te. Marear-te. Flutuar-te. Um pouco. Também. Sim. Só. E, ainda assim, outra vez sem medo. Nenhum medo.
A Loira
Publicado por xc em maio 7, 2005 12:00 PM