
Foto de Lilya Corneli
... Se eu rasgar uma tira de umbigo para te fazer de lençol... Dizes comigo que temos uma cama de linho ralo?... E se eu arrancar uma gaze do meio do peito? Dizes que sim, que dormimos pendurados numa crina de vento e cuspimos pela boca rolas de espuma branca como o mar?... E dizes que de virgens nos bastam os três caroços de azeitona que chupámos ao jantar? Que é farta a mesa quando larga a cama... Dizes? ... Mesmo sabendo que só ta farei de lavado se remexer entre o peito e tirar para fora o que me arde em cânfora rente ao umbigo?... Dizes?!... Dizes, sim. Porque és feito do mesmo que eu.
A Loira

Foto de Lilya Corneli
Sim, eu sei, que quando me entornas a face ao chão é só para que me pulse mais claro um certo eco de terra que, em noites de lua vaga, crês ainda ser um chamado de onde não sei como fugir.
A Loira

Foto de Lilya Corneli
Pedes pés descalços à chegada e um tudo ou nada de nudez desfiado ao perfil. Pedes coisas simples que eu já não sei se tenho. Ainda. Aqui. Tal e qual deviam ser: prontas e à tua espera. Eu - outra vez entre alinhavos de baínha e costuras mal suturadas que voltam a castigar-me o ombro à alça. Eu - a deslizar entre a chita e um fio de pântano onde os sapos coacham ainda. Em noites a tempos. Descompassados tempos. Incertos tempos. De novo. Outra vez. Sem novidade, nem surpresa. Como sempre, como dantes. Tão inversos a ti!
A Loira